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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Filmes: Ágora


Filme espanhol, mas falado em inglês, do diretor Alejandro Amenábar (Os Outros), narra os fatos ocorridos na passagem histórica que envolveram a destruição da biblioteca de Alexandria, através da vida de Hypatia, uma filosofa atéia.
É difícil descrever ou julgar uma pequena obra prima como este filme. A reconstituição de época é perfeita, desde o figurino até o cenário que se estende a uma animação panorâmica do mundo na época, sem falar da fotografia, da musica, dos costumes, tudo tratado com esmero e cuidado. Mas o ponto principal deste belo filme é a historia.

Hypatia existiu realmente e era uma mulher singular, brilhante demais para a época em que viveu. Astrônoma e matemática em uma época onde tudo que chamamos hoje de ciências eram apenas conjecturas, a sua busca por uma explicação de como o sistema solar funcionava era algo totalmente a frente de seu tempo, IV DC, tanto que apenas em 1609 a explicação surgiu através das 3 leis de Kepler.
O elenco do filme conta com Raquel Weisz no papel de Hypatia, com uma atuação sensivel e impressionante, ela incorpora o personagem de uma forma tão realista, que pode-se dizer que este foi um dos seus melhores trabalhos. Há também no filme algumas surpresas agradáveis como Max Minghella (Um louco apaixonado) que está excelente no papel de Davus, o escravo de Hypatia, que nutre uma paixão platônica por ela e sofre por não conseguir conciliar seus sentimentos com os preceitos arbitrários que pregam os lideres do Cristianismo, a religião que agora ele segue.

Também uma bela atuação de Oscar Isaac (Hobin Hood) no papel de Orestes, ex-discípulo de Hypatia que nunca escondeu seu amor por ela o que lhe faz passar por dificuldades ao lidar com os conflitos políticos e religiosos que a cidade enfrenta e por ultimo mas não menos digna de ser citada é a atuação de Rupert Evans (Hellboy) no papel de Synesius, outro ex-discípulo de Hypatia, jovem cristão que não vê a ciência como problema e tenta ajudar a acabar com os violentos conflitos.

Àgora é um daqueles filmes que te faz pensar, descrevendo o cenário político e religioso da época, onde cristãos, pagãos e judeus passam de um convívio tenso a violentos conflitos.

Como um espelho que reflete o triste fato de que a humanidade não mudou muito neste ponto, que muito daquilo que você vê na tela, ainda é, apesar da ilogicidade do fato, o que acontece hoje, seja abertamente como as guerras que pontuam frequentemente alguns locais do nosso mundo, seja no preconceito velado que ocorre diariamente, mesmo nas pessoas que vivem nas sociedades ditas, mais modernas e evoluidas.

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